Produção Primária

pre-finalistas

COOPERATIVA A LAVOURA

Bísaros com missão económico-social ajudam a resolver a crise

Esta organização de Paços de Ferreira destaca-se na produção leiteira numa região, Vale do Sousa e Tâmega, em que predominam os pequenos agricultores e os seus minifúndios. A crise veio expor esta classe a dificuldades acrescidas, nomeadamente o desemprego, pelo que a cooperativa começou a desenvolver projetos que criassem valor e rendimento. Foi assim que em 2013, ao abrigo do programa Passaporte Emprego Agricultura, surgiu a atividade de criação do porco bísaro para venda de leitão ao mercado da restauração. “A produção e comercialização de leitão desta raça em modo cooperativo é uma iniciativa pioneira”, refere Idalino Leão, presidente de A Lavoura.

Neste momento, o projeto envolve 300 porcas reprodutoras, distribuídas por 13 agricultores, que, em conjunto, vendem cerca de 200 leitões por mês. Em 2016 representaram 250 mil euros. Estes números, de acordo com este responsável, “trazem riqueza para algumas famílias, tendo em conta a microeconomia desta região”. O projeto encontra-se agora numa fase de estabilização, mas de olhos postos no futuro: a produção e comercialização de produtos de bísaro transformados.

ORIVÁRZEA

O carolino genuinamente português reconhecido por gourmets

Na Ásia, este alimento tem milhares de anos. Entre nós, as primeiras referências ao seu cultivo remontam ao século XIII, mas só no século XIX terá surgido o plantio de diferentes variedades, entre elas o carolino. Hoje, curiosamente, a Orivárzea, o maior produtor de arroz a nível nacional e o maior da Europa de carolino (o tipo mais produzido e consumido em Portugal), exporta para muitos países, inclusive asiáticos. A história desta empresa começou em 1997, quando um grupo de 10 orizicultores das lezírias ribatejanas se juntou para produzir de forma integrada (produção não nociva à saúde nem ao ambiente) e comercializar um arroz de excelência, sobretudo Ariete.

“É um arroz reconhecido e certificado, característico da nossa gastronomia, que absorve facilmente os aromas e sabores dos temperos e ingredientes”, explica Jorge Parreira, diretor comercial e de marketing. O Ariete é responsável por cerca de 70% da produção desta organização, localizada em Salvaterra de Magos, que nos seus 5300 hectares de arrozais também produz agulha, aromático e integral, bem como especiais para sushi, para risotto e para bebés, sendo a Bom Sucesso a sua principal marca.

Produção Primária

FRUTALMENTE

A uva de mesa nacional naturalmente doce que está no Ribatejo

O vale dos Cadafais, no concelho de Alenquer, constitui uma das mais antigas zonas de produção de uva de mesa em Portugal. A localização beneficia de um microclima propício à sua cultura e de um saber acumulado de várias gerações. Esta sabedoria e métodos de produção tradicionais e diferenciadores, nomeadamente o sistema de condução em cordão bilateral, sem qualquer tipo de forçagem, e uma grande área sem rega garantem uma doçura natural às uvas de mesa aqui produzidas. Formados em Agronomia e apoiados numa história familiar ligada à produção desta uva, os primos Mário e Sandra Rodrigues não só quiseram dar continuidade a essa tradição como fazer mais e melhor.

Em 2013 decidiram fundar a Frutalmente, a primeira organização de produtores de uva de mesa em Portugal. Sob a marca Dona Uva, as principais variedades produzidas pela organização são, entre outras, a Cardinal e a Red Globe (pretas) e as Dona Maria e Vitória (brancas). Atualmente, afirmam os dois fundadores, “estamos a apostar em variedades com mais potencial de exportação, mas sem perder o património genético tradicional”.

PEPE AROMAS

Figo-da-índia alentejano à conquista de Portugal e do mundo

Este projeto nasceu do sonho de dois irmãos, Susana Mendes e José Ferrão, ao qual se juntaram os respetivos cônjuges, Nuno Mendes e Maria do Anjo Ferrão. Terras tinham, na Azaruja (Évora), bem como uma vontade imensa de fazer algo diferente no âmbito da agricultura biológica e um sentido de responsabilidade social que serviram de impulso para lançarem mãos à obra. Estávamos em 2013. Constituíram a Pepe Aromas com a intenção de tornarem o sonho realidade, mas sem saberem ainda muito bem o que iriam produzir. “Começámos a estudar o mercado e a ir a feiras internacionais até chegarmos à conclusão de que a exploração de figo-da-índia tinha um potencial interessante nesta zona do Alentejo, região que queremos dinamizar”, explica Nuno Mendes.

Em 2015 avançaram então para a produção deste fruto, cujos resultados foram colhidos o ano passado: três toneladas. Este ano esperam 10 toneladas e em 2018 apontam para as 30. Exportar está nos horizontes da empresa, bem como comercializar, não apenas o fruto, como tudo o que a planta fornece — palma, flores, sementes —, pois os seus usos são múltiplos.