Os Vencedores

Ideias com Potencial

Premiado: Engenho dos Paladares, Lda
Produto: Queijos Paladares Paroquiais

Há oito anos, o padre Samuel Guedes quis criar uma empresa que pudesse dar oportunidade de emprego a desempregados (sobretudo de longa duração) e com os seus lucros ajudar os centros sociais e paroquiais de Frazão, Arreigada e Ferreira. Na altura, a desativação de uma antiga queijaria da região tinha-lhe dado o fôlego de que necessitava para avançar com o projeto. Aproveitou o know-how de algumas pessoas que estavam ligadas à mesma e “ressuscitou-a”. Deu-lhe o nome de Engenho dos Paladares, está sediada em Arreigada (Paços de Ferreira) e, além de queijos, sob a marca Paladares Paroquiais também faz biscoitos, compotas e licores. Hoje, é gerida pelo pároco que lhe sucedeu, João Pedro Ribeiro, que desde que assumiu funções, em dezembro de 2018, continua a inovar.
Os queijos, apenas de leite de vaca, diferenciam-se pelas várias combinações de paladares. “Quem aprecia uma boa tábua de queijos gosta de um bom cruzamento de sabores”, diz. Combinações que vão desde orégãos e alho, piripíri, salmão ou presunto… sendo que neste momento estão a ser feitas experiências com diversos tipos de sementes, mas a receita base já está finalizada. E como nem só de sabores vive este queijo pacense, do amanteigado ao curado, a oferta é variada. O mais recente tem três meses de cura. Agora, o objetivo passa por ampliar as atuais instalações, para produzir mais e assim chegar a todo o país e até exportar.

Produtos transformados

Premiado: Miguel Gonçalo de Barros e Vasconcelos Guisado
Produto: Aguardente de Perada de Pera Rocha “Old Nosey”

Os pomares instalados na encosta basáltica do Monte Socorro, na zona oeste de Portugal, terão servido de principal centro de observação e comunicação, no início do século XIX, durante a defesa das Linhas de Torres Vedras então construídas.
Muitas dessas árvores de fruto, com perto de 160 anos, fazem ainda hoje parte da Quinta da Póvoa, uma propriedade com 63 hectares, localizada em Aldeia da Serra (Turcifal), então quartel-general das tropas e por onde terá passado o célebre general britânico Wellington. Daí o nome (Old Nosey) daquela que é atualmente uma marca de aguardente de perada de pera-rocha. O projeto nasceu pela mão do proprietário da quinta, Miguel Guisado, cujos antepassados já ali se dedicavam à lavoura, com o objetivo de escoar a produção da pera oriunda destes pomares antigos e tradicionais de sequeiro e elevada qualidade, produzindo uma bebida espirituosa premium. “Foi há cerca de seis anos que comecei a fazer experiências até chegar ao produto diferenciador que temos hoje e que tem todas as condições para ser um sucesso”, refere o produtor.
Com uma produção anual de pera-rocha próxima das 40 toneladas e uma capacidade para destilar cerca de cinco mil garrafas de aguardente, a aposta recai agora na divulgação da marca, registada no final de 2018, para crescer tando no mercado nacional como internacional.


Premiado: Bézé Arte e Decoração Lda
Produto: Queijo de Cabra Artesanal Biológico

As tradições queijeiras artesanais da família foram uma inspiração para, em 2018, Anabela Gaspar agarrar no projeto “Queijo da Fonte”. Afamado por ser amanteigado e ter pouco sal, pouco comum num queijo de cabra, a história deste produto de sabor intenso e textura aveludada remonta, no entanto, há cerca de uma década, quando os antigos proprietários da queijaria que o produzia procuraram desenvolver um queijo de excelência e único. “Gostávamos muito deste queijo, o único amanteigado de cabra que conhecemos, pelo que quando soubemos que os donos queriam fechar a queijaria decidimos aprender a fazê-lo e ficar com a mesma”, revela esta produtora do Ladoeiro (Idanha-a-Nova) que, além disso, pretende acrescentar valor e criar dinâmica económica nesta biorregião da Beira Baixa.
O leite usado na sua confeção está certificado como biológico, o que não acontecia anteriormente, e é oriundo exclusivamente de explorações das redondezas, cujos caprinos pastoreiam livremente em pastagens naturais. Como tem pouco sal e é fabricado artesanalmente (não há dois queijos iguais), implica uma componente manual mais trabalhosa. “É preciso tratá-lo com mimo, mas vale a pena, pois confere ao queijo uma maior qualidade”, explica Anabela. O projeto prevê, no futuro e numa perspetiva de economia circular, aproveitar o soro do leite na sua totalidade, em subprodutos como iogurte, queijo fresco, manteiga e requeijão.

Inovação em Embalagem

Premiado: Arvólea, Sociedade Unipessoal
Produto: Azeite Biológico “Arvólea”

A cultura de azeite em Portugal perde-se no tempo, estando muito enraizada nas gentes da região de Trás-os-Montes e na família de Vítor Baptista, que desde sempre se dedicou à produção daquele “néctar dourado”, como também é conhecido o produto extraído da azeitona. “Tem a ver com as minhas raízes, sempre tivemos azeite em casa e sempre se produziu azeite das nossas oliveiras”, recorda o produtor de Macedo do Mato (Bragança), que quer perpetuar a tradição com um azeite diferente, de uma variedade cuja qualidade tem sido desvalorizada e que por isso pretende reabilitar: a santulhana.
A aventura começou há cerca de dois anos, quando resolveu fazer gelado deste azeite e dá-lo a degustar numa feira da região. A iniciativa despertou o interesse de muitas pessoas e também de um professor reformado do Instituto Politécnico de Bragança que sempre acreditou no valor da santulhana, mas que, no entanto, nunca até ali tinha encontrado um produtor que quisesse desenvolver um azeite a partir desta azeitona autóctone. De imediato estabeleceu contacto entre dois dos seus discípulos e Vítor Baptista, uma parceria que viria a tornar-se muito valiosa para o desenvolvimento do projeto Arvólea.
A verdade é que este azeite, com um picante forte e sabor “verde”, trabalhado no lagar A Roda das Delícias e apresentado numa embalagem de design exclusivo, já ganhou várias medalhas em concursos internacionais. Uma aposta ganha e um exemplo de que acreditar é o primeiro passo para fazer acontecer.


Menção honrosa: Goomato – Horticilha Agro-Industria SA
Produto: Tomate biológico

As condições climatéricas e de solo de Cilha Queimada (Alcochete, Setúbal), próximo da Reserva Natural do Estuário do Tejo, cativaram, em 1995, um investidor sueco que aqui pretendia produzir tomate no inverno para complementar a produção de verão que tinha na Suécia, com o objetivo de fornecer o mercado escandinavo. Foi assim o início de um negócio que mudou várias vezes de mãos, que evoluiu e se especializou, sobretudo em produção biológica, chegando ao que é hoje. Mas se até 2018 o tomate aqui produzido era quase na sua totalidade direcionado para os mercados internacionais, a entrada de um novo player, o Grupo Hortipor, veio mudar o paradigma.
A estratégia de comercialização da Horticilha passa agora pela aposta no mercado nacional, marcando a diferença pela excelência e diversidade da oferta, que inclui variedades exclusivas — como o tomate-púrpura, de gosto surpreendente, ou o cherry-romântico, em forma de coração — selecionadas pelo seu sabor e valor nutricional excecionais. É neste contexto que surge o Goomato (good tomato), um projeto que “pretende aliar o sabor genuíno deste alimento à preservação do ambiente, com um modo de cultivo ecológico e saudável e uma embalagem original 100% reciclável que o consumidor venha a reconhecer facilmente”, explica Paulo Neto, o responsável das Operações. Produzido com muito amor, durante o ano inteiro, em quase uma dezena de hectares de estufa e colhido de forma natural, o Goomato é, parafraseando o lema da marca, “simplesmente tomate bio”.

Produção Primária

Premiado: José Augusto Roque do Rosário Azóia
Produto: Grão de Bico “Casal do Vouga”

Filho e neto de agricultores, José Azoia “herdou” o gosto por lavrar a terra e também uma variedade de grão-de-bico cuja semente está há décadas na família — a Casal Vouga, nome que homenageia a primeira fazenda adquirida pelo pai. José ainda chegou a frequentar a Escola Agrária, mas em 2006, e sempre ligado à agricultura, resolveu emigrar. Angola e França foram os destinos escolhidos e a experiência valeu-lhe um conjunto de ensinamentos práticos e técnicos que se revelariam preciosos no futuro. “Aprendi muito!”, diz. Há cerca de quatro anos regressa a Portugal, à região que o viu crescer, instalando-se perto de Casével (Santarém) como jovem agricultor, determinado a dar continuidade à atividade dos seus ascendentes, que já cultivavam o grão-de-bico, entre outras culturas, em modo de produção de sequeiro.
A Casal Vouga, segundo explica o seu produtor, é uma variedade que se diferencia da concorrência pelo seu calibre maior e por cozer facilmente. No entanto, a grande mais-valia deste projeto está na dinamização de uma cultura em desuso, sobretudo no Ribatejo, ao mesmo tempo que abre as portas a outros agricultores para que possam usufruir dela. “A minha semente está a proporcionar mais uma fonte de rendimento, não apenas a mim como a outros agricultores da região, que são meus parceiros. Além disso, queremos fazer o melhor que soubermos e sermos reconhecidos por isso”, revela José, com o orgulho de ver, assim, desenvolver–se todo um trabalho geracional que não quis que se perdesse nos tempos. Pelo menos no seu.


Premiado: Joaquim António Isidro Farófia
Produto: Mel de Rosmaninho “Margens do Alqueva”

Joaquim Farófia era construtor, mas a última crise económica levou-o a seguir outros caminhos, e, de hobby, a apicultura passou a ser, desde 2016, a sua principal ocupação. Na altura tinha meia dúzia de colmeias, hoje conta com quase 1200. “Eu sabia que me conseguia governar”, assegura este produtor de Reguengos de Monsaraz, que produz por ano cerca de 27 toneladas de mel de rosmaninho (planta autóctone da região).
Joaquim conhece as abelhas como ninguém e trata-as com todo o carinho, para garantir a manutenção do “exército” e a produção, chegando a alimentá-las, a fazer criação de abelhas-rainhas e a ajudar no acasalamento. Todo o seu conhecimento sobre estes insetos voadores, tão importantes para o planeta nos processos de polinização, vem dos livros e do gosto particular por esta temática e pela Natureza em geral.
O “néctar dos deuses” (como também é conhecido o mel desde a Antiguidade) deste produtor alentejano chama-se Margens do Alqueva e já participou em dois concursos, de onde saiu vencedor: o último foi na Feira da Agricultura de 2019, tendo arrecadado duas medalhas — uma de prata, na categoria de Mel de Rosmaninho, e outra de ouro, na categoria de Embalagens de Mel, devido à originalidade do rótulo, desenhado pela filha. Atualmente embalado numa melaria certificada no Montijo, o grande objetivo de Joaquim Farófia para o futuro é certificar a sua própria melaria, até porque, considera, “é uma mais-valia para a terra”.


Menção honrosa: QÊPÊTÊ, Produção e Comercialização de Produtos Alimentares, Lda
Produto: Quinoa em grão

Já foram quatro, mas hoje são só três os amigos e sócios, todos ligados à área agrícola, que há seis anos se juntaram para cultivarem, em modo biológico, aquela que acreditavam ser a primeira plantação de quinoa em Portugal. Mas inicialmente nem sequer conheciam o produto.
A ideia da sua produção surgiu aquando do Ano Internacional da Quinoa (2013), tendo sido nessa altura que “descobriram” esta planta antiquíssima, originária dos Andes, na América do Sul, que foi atravessando oceanos e continentes até ser adotada em várias regiões do mundo, nomeadamente na Europa, onde recentemente foram desenvolvidas algumas variedades. No entanto, por cá pouco ou nada se sabia sobre este grão muito rico em proteínas, pelo que não foi fácil arranjar as sementes. “Felizmente, descobrimos dois contactos, um em França e outro na Dinamarca”, recorda Nuno Rodrigues, um dos sócios da QêPêTê. Desde aí, foram fazendo experiências. “Não tínhamos qualquer informação sobre como conduzir esta cultura na Europa e muito menos em Portugal. Fizemos tudo por tentativa e erro”, acrescenta o produtor.
Em 2016 conseguiram, finalmente, afinar a cultura e alcançar a primeira produção. Hoje têm uma área de cultivo de 14 hectares, próxima de Barcelos, e a produção de cerca de 40 toneladas/ano já não chega para satisfazer a procura. “Acreditamos que iremos crescer, temos de crescer porque o mercado o está a exigir. Temos um bom produto, com muita qualidade, sabemos o que estamos a consumir, tudo a um preço competitivo”, remata.