Produtos Transformados

pre-finalistas

ELDERINK LATICÍNIOS

Pimentos recheados com queijo fresco para servir como petisco

Frans Elderink chegou ao Alentejo há quase duas décadas, vindo da Holanda, para montar uma vacaria na zona de Redondo. Nessa altura conheceu a mulher, Dulce, alentejana de gema, casaram e desde aí, em conjunto, a Elderink Laticínios dedica-se à produção de leite como matéria-prima. Atualmente têm 500 vacas, produzem 20 mil litros de leite por dia e não querem crescer mais, mas sim rentabilizar o que têm. Foi assim que há cerca de um ano resolveram criar um produto derivado, queijo fresco. Para o efeito, “alugámos a queijaria onde nos encontramos a laborar e começámos a desenvolver a ideia de algo que fizesse a diferença no mercado. No futuro queremos aumentar a produção de queijos, ganhar capacidade produtiva, pois ainda trabalhamos de forma muito artesanal, e criar novos produtos”, diz o empresário.

A inspiração de juntar o sabor forte do pimento vermelho ao aveludado do queijo fresco foram buscá-la a produtos semelhantes que viram noutros países e que cá ainda não havia. Um petisco para ser partilhado em família ou com amigos, em momentos de lazer e convívio, acompanhado de um bom vinho.

MINHOFUMEIRO

Alheira de galo artesanal à moda de Ponte de Lima

Enchido típico da gastronomia portuguesa, a alheira fabrica-se sobretudo a Norte do país. Embora não fazendo parte das tradições limarenses, a Minhofumeiro, em Ponte de Lima, é uma dessas casas que se dedica, desde 1993, à transformação de carnes em enchidos artesanais e tradicionais e que faz uma alheira de galo famosa, tendo em conta os prémios que já ganhou. “A nossa é genuína, tradicional, pelo que acaba por ser reconhecida e muito procurada; quem prova, fica fã”, afirma António Paulino, à frente desta empresa familiar com historial centenário. O segredo deste fumado assenta na qualidade e frescura dos seus ingredientes e temperos cuidadosamente selecionados e produzidos na região minhota (sobretudo carne de galo sem gordura e de suíno, cozidas, pão amolecido no caldo de cozedura das carnes e azeite virgem).

Envolvida em tripa natural, é curada em ambiente refrigerado e humidade controlada e depois fumada com lenha de azinho. Além disso, a sua produção artesanal, mas certificada, não se coaduna com a massificação, prevendo-se que ao longo de 2017 tenham sido colocadas no mercado não mais de 60 a 70 mil alheiras.

Produtos Transformados

FLOR DE AVEIRO

Morgado do Bussaco, o bolo tradicional reinventado, que não tem glúten

O nome remete-nos para uma das mais emblemáticas maravilhas naturais de Portugal, a mata do Bussaco (ou Buçaco). Na verdade, este bolo teve origem no Bussaco Palace Hotel, onde foi criado para mimar os seus hóspedes. Caído um pouco no esquecimento, há cerca de dois/três anos Lurdes Borralho e Pedro Santos deram a volta à receita que lhes foi sugerida por uma senhora amiga. Inovaram e recuperaram-no. Desde aí tem sido uma das estrelas que mais brilham na Flor de Aveiro, dado o êxito que tem tido em concursos de doçaria tradicional e com os clientes desta padaria/pastelaria, que dirigem desde 1999. Não é para menos. Só olhar para ele faz crescer água na boca. Leve e cremoso, uma das suas principais características é ser isento de glúten, o que, segundo os dois mestres pasteleiros, “representa uma mais-valia para o produto”.

Entre os seus principais ingredientes estão a noz, a clara de ovo, o mel, o açúcar amarelo e os famosos ovos moles aveirenses. O segredo do sucesso da receita não revelam, mas ambos dizem, sorrindo, que o amor que colocam na confeção, a par da qualidade dos produtos nacionais, fazem toda a diferença.

CASA DA PRISCA

Enchidos de bísaro trancosano alimentado com castanhas

Mais curados do que fumados, os enchidos da Casa da Prisca, feitos a partir do porco de raça bísara — chouriça, salpicão, alheira e moira (chouriça de sangue) —, estão há cerca de um ano no mercado. O seu sabor é distinto, não apenas devido ao tipo de carne com que são confecionados como também aos temperos, que só contam com produtos exclusivos da região de Trancoso (Beira Transmontana), como é o caso do vinho e do pão. Já a principal matéria-prima é fornecida por outra empresa do grupo, a AgroBacorinho, que se dedica há pouco mais de quatro anos, em Freches, à criação do porco bísaro com algumas particularidades: “Crescem maioritariamente ao ar livre, são alimentados com beterraba, abóbora e, nos últimos 90 dias de vida, com castanhas”, explica António Santos, o empresário à frente deste grupo, cuja história e arte de cura e fumeiro começou com os bisavós, há precisamente 100 anos.

Nos anos 90, a Casa da Prisca “deu o salto” e a organização, no início meramente familiar, tem hoje mais de mil animais, produz 20 bísaros por semana, emprega cerca de 75 pessoas e disponibiliza um conjunto diversificado de produtos tradicionais.